Associação critica alegada prestação de serviços remunerados da GNR à Savannah Lithium


A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) criticou a alegada prestação de serviços remunerados da Guarda Nacional Republicana (GNR) à Savannah Lithium, empresa responsável pelo projeto da mina do Barroso, em Boticas. Esta associação considera que a situação é incompatível com a missão da força de segurança.

Em comunicado, a associação afirma ter tido acesso a documentos que indicam que a empresa terá pago pelo menos 835,61 euros à GNR por serviços de segurança prestados em 2025.

Segundo a UDCB, uma fatura emitida pelo posto territorial de Boticas inclui horas de serviço de militares em horário noturno e de fim de semana, bem como a utilização de viaturas.

A associação reconhece que, a legislação prevê a possibilidade de prestação de serviços remunerados por parte da GNR a entidades privadas, mas considera que esse mecanismo foi concebido para “situações pontuais, como eventos desportivos, espetáculos ou manifestações culturais e religiosas”, lê-se numa nota enviada.

Para a UDCB, a prestação de serviços à empresa mineira ocorre num contexto de conflito social relacionado com o projeto de exploração de lítio em Covas do Barroso, razão pela qual considera que a Guarda “não pode dirimir conflitos de natureza privada, devendo, nesses casos, limitar a sua ação à manutenção da ordem pública”, tendo como missão “assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos”, referem ainda no mesmo comunicado.

O recebimento de pagamentos de uma empresa em conflito com a população é incompatível com estes princípios e configura um duplo critério inaceitável, violando o Estado de Direito e os direitos fundamentais”, apontam.

No comunicado, a associação sustenta que existe um tratamento desigual na atuação das autoridades, alegando que a GNR “presta serviços remunerados à empresa e apoia as suas operações, incluindo a remoção de um reboque colocado por um proprietário para impedir a passagem de máquinas, realizada na sua ausência e contra a sua manifesta vontade, em terrenos não abrangidos pela servidão administrativa”. Por outro, entende esta associação que a GNR “não intervém quando a empresa opera fora das áreas permitidas ou realiza desmatamentos em períodos proibidos pela Declaração de Impacto Ambiental”.

O Canal Alto Tâmega tentou obter uma reação da GNR, mas até ao momento não foi possível.


18/06/2026

Sociedade


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