Em comunicado, a junta manifesta
"profunda preocupação" com
os trabalhos iniciados pela Savannah na área abrangida pela servidão
administrativa associada ao projeto de exploração de lítio em Covas do Barroso.
Esta Junta de Freguesia recorda que a DIA favorável condicionada emitida em
2023 estabelece um conjunto de restrições à intervenção no território.
Segundo a junta de freguesia local,
entre essas condicionantes encontra-se a proibição de desmatação entre 15 de
março e 1 de setembro, período considerado sensível para a fauna local.
A junta refere que a empresa
iniciou trabalhos de desmatação em várias áreas da servidão administrativa a
partir de 25 de maio, "em pleno
período interdito", situação que motivou a apresentação de queixas
junto da APA por parte de organismos locais.
No comunicado, a Savannah é
acusada de justificar a intervenção com base na DIA de 2005, referente a um
projeto anterior. Contudo, a junta rejeita essa interpretação, considerando-a "infundada e arbitrária".
"A Junta de Freguesia de Covas do Barroso rejeita categoricamente
esta argumentação, considerando-a infundada e arbitrária. O atual projeto
apresenta uma dimensão e complexidade substancialmente ampliadas, configurando
um novo projeto, razão pela qual foi necessária uma nova DIA em 2023",
lê-se no documento.
A junta local critica ainda a
ausência de resposta da APA às denúncias apresentadas, e considera que a demora
teve consequências práticas no terreno.
"Esta demora é inaceitável e teve consequências diretas no
terreno, uma vez que enquanto não houve resposta das entidades competentes, a
empresa continuou a desmatar, sendo, na prática, beneficiada pela inação da APA",
apontam.
A junta opõe-se ao projeto e
alega que este tem sido conduzido "de
forma impositiva, pouco transparente e sob pressão política", acusando
a APA de uma postura “permissiva, licenciando um projeto repleto de falhas técnicas e
avaliações superficiais, e ausentando-se ainda de uma monitorização séria dos
trabalhos da empresa”, lê-se na mesma nota enviada pela Junta de Freguesia.
No comunicado, a freguesia
considera que não existe “fiscalização efetiva” do cumprimento da Declaração de
Impacte Ambiental e alerta para os riscos que essa situação representa para a
credibilidade dos mecanismos de licenciamento ambiental.
"Por isso, a Junta de Freguesia de Covas do Barroso defende que a
Declaração de Impacte Ambiental não reúne condições de cumprimento e deve ser
anulada com carácter de urgência", conclui o documento.
A Mina do Barroso, promovida pela
Savannah, tem sido alvo de contestação por parte de movimentos locais e de
algumas entidades da região, que contestam os impactos ambientais e sociais
associados ao projeto de exploração de lítio.
Sara Esteves
Foto: DR
Sociedade
