Revista Aquae Flaviae dedica edição à Capela de Nossa Senhora do Pópulo em Chaves
O Grupo Cultural Aquae Flaviae apresentou na sexta-feira, 23 de janeiro, na Biblioteca Municipal de Chaves, o número 71 da Revista Cultural Aquae Flaviae, uma edição dedicada à Capela de Nossa Senhora do Pópulo e que reúne 12 trabalhos sobre a história e o património do concelho e da região. A apresentação contou com a presença de Isabel Viçoso, Presidente da Direção do Grupo Cultural e Paula Chaves, vereadora da Câmara Municipal de Chaves.
Isabel Viçoso destacou a riqueza desta edição, afirmando que a revista “vem acrescentar à história de Chaves factos antigos que são pouco divulgados porque estão em livros ou opúsculos esgotados e a que pouca gente teve acesso”.
Segundo a Presidente da Direção
do Grupo Cultural Aquae Flaviae, a publicação aborda temas que vão além do
concelho flaviense, incluindo “a história
das mamoas da Serra do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar, e a história das Pedras
Salgadas”, que aborda o transporte da água mineral em 1884, feito “em carros de bois da raça maronesa, num
percurso que durava 48 horas até à Régua”.
Paula Morais e Cristina Carvas
são as autoras do trabalho que tem como base uma exposição, inaugurada em julho
de 2020, “48 horas”.
“A ideia surgiu na pandemia. Eu trabalho na Associação Terra Maronesa e
a Paula Morais no Museu Pedras Experience em Pedras Salgadas. O desafio foi encontrarmos um elo entre esses
dois símbolos completamente distintos. Começamos a pesquisar e descobrimos um
contrato que data de 1884. A partir daí começou a aparecer cada vez mais
material e surgiu a exposição 48 horas que já levamos para vários espaços
culturais”.
A edição inclui ainda vários
trabalhos sobre as Invasões Francesas, nomeadamente sobre a forma como Chaves
se libertou da ocupação em 1808, assim como estudos dedicados à Capela de Nossa
Senhora do Pópulo, fundada em 1516.
“A capela é pouco conhecida e de difícil acesso, por se encontrar em
propriedade privada, mas tem uma história interessantíssima, muito ligada a
Roma, e no seu interior existem sepulturas de militares de Chaves, com alusão aos irmãos Rui Garcia Lopes, e várias
lendas associadas”, explicou Isabel Viçoso.
Entre os artigos publicados
destaca-se também o ‘Histórico da Escola do Magistério Primário em Chaves’, da
autoria de Barroso da Fonte, e um resumo biográfico de António Cirurgião,
natural de Soutelinho da Raia, professor catedrático nos Estados Unidos, com 93
anos.
“É um homem que tem uma obra excelente e que muitas vezes não
conhecemos, apesar de estar ao nosso lado e de ser parte da nossa história”,
afirmou a Presidente da direção.
Isabel Viçoso salientou ainda o
papel da revista na investigação académica, referindo que “muitos jovens universitários encontram na Aquae Flaviae temas que não
existem noutros livros e que servem de base para trabalhos de mestrado e
doutoramento”.
Editada desde 1986, com dois
números anuais sem interrupções, a Revista Cultural Aquae Flaviae é financiada
através das quotas dos sócios, protocolos com autarquias e venda direta,
contando com vários colaboradores e sócios nacionais e internacionais.
Texto e Fotos: Diogo Batista
26/01/2026
Cultura
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