Em comunicado, a associação
refere que o financiamento por parte do Estado Português de 110 milhões de
euros, através da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal
(AICEP), será atribuído ao projeto promovido pela empresa Savannah Resources,
através de fundos nacionais enquadrados no Quadro Temporário de Crise e
Transição da Comissão Europeia, o que, segundo a UDCB, legitima uma iniciativa
privada “contestada a nível local,
nacional e internacional”.
A associação recorda que o
próprio Ministério Público defendeu a nulidade da Declaração de Impacte
Ambiental do projeto mineiro e sublinha ainda as conclusões do Comité da
Convenção de Aarhus, que considerou que a consulta pública “violou direitos
fundamentais de participação”, bem como a existência de estudos técnicos que
apontam “lacunas graves” na avaliação ambiental do projeto.
“Os estudos independentes têm
sido claros. As avaliações ambientais foram apressadas e superficiais e não dão
conta dos impactos desta mina”, afirmou a UDCB em comunicado.
“Como é que o Governo quer
financiar um projeto desta dimensão quando não conhece os riscos para o
ambiente e para a saúde da população local? É uma irresponsabilidade”, questionam.
Para a associação, o futuro do
Barroso deve assentar na valorização do seu estatuto de Património Agrícola
Mundial e no investimento numa economia local sustentável, rejeitando um modelo
de desenvolvimento que, afirma,
“sacrifica comunidades que mantêm relações responsáveis com a terra”.
A UDCB critica ainda a opção
governamental de investir num projeto mineiro numa região que enfrenta “carências
significativas” ao nível dos serviços públicos essenciais, nomeadamente na
saúde e na educação.
“Não temos um hospital ou uma escola secundária por perto. A
maternidade mais próxima fica a uma hora e meia de carro. É um abandono”,
disse Maria Loureiro, agricultora de Romainho, citada em comunicado.
“O que temos vem de uma vida inteira a trabalhar, sem ajudas. E agora
querem-nos tirar tudo. Mas nós não vamos ceder. Vamos lutar contra isto até ao
fim”, acrescentou.
A associação considera que uma
transição energética “imposta contra as
populações” e à custa do ambiente cria “precedentes
antidemocráticos preocupantes” e acusa o Governo de proteger interesses
privados em detrimento dos direitos das comunidades locais.
Segundo a UDCB, a associação
continuará a desenvolver ações para travar o projeto da Mina do Barroso,
defender os direitos das populações e salvaguardar o património comum da região.
A mina do Barroso, em Covas do
Barroso, obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionada em 2023,
e a Savannah prevê iniciar a produção em 2028. O projeto está classificado como
‘Projeto Estratégico’ ao abrigo do Ato Europeu das Matérias-Primas Críticas e continua
a ser contestado por várias associações, população, ambientalistas e autarcas.
Sara Esteves
Foto: DR
Sociedade
