Nova exposição do MACNA faz um retrato visual do Norte de Portugal, do Minho ao Douro e ao Interior, olhando mais de 30 anos atrás
A exposição “O Norte de Ontem – Obras da Coleção Encontros de Fotografia” foi inaugurada na sexta-feira, 16 de janeiro, no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA), em Chaves, e reúne cerca de 150 fotografias de autores nacionais e internacionais, que documentam o território português durante a década de 1990, um período marcado por profundas transformações sociais, económicas e paisagísticas.
A mostra resulta de uma produção
conjunta do Centro de Artes Visuais (CAV) e do MACNA e integra o programa de
itinerâncias da Coleção Encontros de Fotografia, com o objetivo de
descentralizar a oferta cultural e aproximar novos públicos do património
fotográfico nacional.
Segundo o curador Albano Silva
Pereira, esta exposição “é a junção de três grandes projetos”, nomeadamente
Terras do Norte, Linha de Fronteira e Foz Côa, desenvolvidos ao longo da década
de 1990. “Trata-se de um trabalho de documentação de um país em profunda
transformação, influenciado pelos primeiros fundos comunitários e por novas
dinâmicas sociais, territoriais e paisagísticas”, afirmou.
O projeto reúne obras de
fotógrafos portugueses como Daniel Blaufuks, Luís Palma e Paulo Nozolino, bem
como de autores internacionais, entre os quais Flor Garduño, Gabriele Basilico
e Larry Fink. Os artistas foram convidados a trabalhar sobre territórios
situados entre “o mar e a terra, o litoral e o interior, a cidade e o campo, o
Douro e a vinha, os homens e as pedras, os gestos e os símbolos”, explicou
também a curadora Mariana Marin Gaspar na apresentação.
A exposição integra ainda
trabalhos da mostra Linha de Fronteira (1997), realizada no âmbito das
comemorações dos 700 anos do Tratado de Alcanizes, com portfólios de Cristina
Garcia Rodero, Duarte Belo, Inês Gonçalves e Nuno Cera.
O presidente da Câmara Municipal
de Chaves, Nuno Vaz, destacou que a exposição é abordada “numa lógica
eminentemente artística”, sem descurar “as dimensões da geografia física, da
geografia humana, da paisagem e das transformações resultantes da ação humana”.
O autarca salientou “a qualidade
da fotografia e dos fotógrafos envolvidos” e o facto de se tratar
maioritariamente de fotografia analógica, “mais exigente, mas de grande
qualidade”, considerando que “o contraste do preto e branco introduz uma
atração suplementar”.
Relativamente ao público do
MACNA, o presidente indicou que o museu regista “médias anuais entre os 9.000 e
os 12.000 visitantes”, reconhecendo, no entanto, que este número “fica aquém da
ambição” do município. “A maioria dos visitantes é de fora do concelho, muitos
deles interessados em arquitetura e arte contemporânea”, acrescentou.
A exposição estará patente no
MACNA até 24 de maio de 2026 e integra o programa de apoio da Rede Portuguesa
de Arte Contemporânea, promovido pela Direção-Geral das Artes, com o apoio da
Câmara Municipal de Chaves.
Texto e Fotos: Sara Esteves
19/01/2026
Cultura
. Partilha Facebook


