Savannah obtém apoio do Estado até 110 milhões de euros para projeto de lítio em Covas do Barroso
A Savannah Resources anunciou a atribuição de um apoio financeiro de até cerca de 110 milhões de euros por parte do Estado português, através da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), para o desenvolvimento do Projeto de Lítio do Barroso, localizado em Covas do Barroso, no concelho de Boticas.
Segundo a empresa britânica, o
apoio é concedido no âmbito do Quadro Temporário de Crise e Transição da
Comissão Europeia e do Regime Contratual de Investimento, e destinana-se a “grandes
projetos” considerados “estratégicos” para a transição energética e a
neutralidade carbónica. O Projeto de Lítio do Barroso está classificado como
Projeto Estratégico ao abrigo do Ato Europeu das Matérias-Primas Críticas.
De acordo com a empresa, o
incentivo corresponde a até 35% das despesas de investimento elegíveis e
assume, maioritariamente, a forma de apoio não reembolsável. Do montante máximo
previsto, cerca de 82,2 milhões de euros destinam-se às despesas iniciais de
capital do projeto, enquanto 27,4 milhões de euros ficam dependentes do
cumprimento de parâmetros de desempenho na fase operacional, explicou a Savannah
Resources, numa nota enviada.
A Savannah deverá cumprir um
conjunto de condições e prazos para aceder à totalidade do apoio, sendo que
alguns dos passos dependem da atuação de outras entidades públicas.
O presidente executivo da
Savannah, Emanuel Proença, afirmou que “a atribuição deste apoio representa
mais um passo em frente para a Savannah e para o Projeto de Lítio do Barroso.
Este apoio dará um contributo significativo para o investimento de capital do
Projeto, à medida que construímos todos os elementos necessários para iniciar a
produção a partir de 2028”.
Citado em comunicado, o
responsável acrescentou que “reforça também o compromisso do Estado Português
em garantir a execução do Projeto para que tenha as mesmas condições de sucesso
que foram concedidas por governos de outros países a outros projetos
estratégicos na Europa e em todo o mundo recentemente”.
Emanuel Proença sublinhou ainda
que “a entrada em produção deste Projeto, em paralelo com outros da fileira,
irá trazer múltiplos benefícios ao País: irá contribuir para o desenvolvimento
de uma nova indústria que contribua para o crescimento económico de Portugal;
irá assegurar o fornecimento de uma fonte nacional de lítio, produzido de forma
responsável, para uma maior independência energética da Europa; e irá criar
empregos e oportunidades de desenvolvimento tão necessárias na região do
Barroso”, lê-se no documento enviado pela empresa.
O diretor financeiro da empresa,
Henrique Freire, considerou que “este apoio do Estado Português é uma excelente
notícia e representa um forte apoio financeiro ao nosso projeto, o que acredito
inspirará grande confiança junto dos nossos parceiros, atuais e futuros”,
refere citado no mesmo documento.
Segundo o responsável, “a
Savannah tem feito progressos significativos, incluindo a obtenção deste apoio,
assegurando elementos-chave do potencial pacote de financiamento para o projeto
antes da Decisão Final de Investimento prevista para o final do ano de 2026”.
Também a presidente da AICEP,
Madalena Oliveira e Silva, destacou a importância do apoio, afirmando que “apoiar
o projeto da Savannah através do Sistema de Incentivos ao Investimento em
Setores Estratégicos, bem como outras empresas da cadeia de valor das baterias,
é mais um passo demonstrativo da ambição e compromisso de Portugal em
desenvolver e fortalecer uma fileira estratégica para o futuro”.
A mina do Barroso obteve uma
Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionada em 2023, e a Savannah prevê
iniciar a produção em 2028. O projeto continua a ser contestado por várias
associações, população, ambientalistas e autarcas.
Sara Esteves
Foto. DR
12/01/2026
Sociedade
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