Empresário mexicano compra maioria da SAD do Grupo Desportivo de Chaves


A venda do capital social maioritário da SAD do Grupo Desportivo de Chaves foi oficializada na última semana. Arturo Lomelí, empresário mexicano do ramo da indústria alimentar, investiu cerca de oito milhões de euros para adquirir 70% da SAD azul-grená, e escolheu Dante Elizalde para assumir a liderança do projeto.

A 17 de setembro foi dado como fechado um acordo que assinala mais um marco importante dos 75 anos de história do Grupo Desportivo de Chaves. Um grupo empresarial mexicano, detido por Arturo Lomelí, adquiriu, por cerca de oito milhões de euros, 70% da SAD do GD Chaves, tendo a possibilidade de adquirir mais 10% [da parte detida por Francisco José Carvalho] até 2028. O ex-presidente Francisco José Carvalho detém 20% do capital social da SAD, enquanto o clube detém 10%.

Ainda antes do anúncio oficial, na terça-feira, 16 de setembro, o clube flaviense, também através de um comunicado, informou os seus associados e simpatizantes que, por indisponibilidade financeira, renunciou “ao direito de preferência na alienação das quotas da SAD”.

A nova administração da SAD, liderada por Dante Elizalde, tem como objetivos principais fazer regressar o Desportivo de Chaves, num futuro próximo, ao principal escalão do futebol português, assim como requalificar as infraestruturas existentes (Estádio Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira e Complexo Desportivo Francisco Carvalho).

Dante Elizalde assume liderança da SAD azul-grená com olhos postos na I Liga

Dante Elizalde, mexicano de 46 anos, presidente do Santos Laguna, do principal escalão do México, entre 2019 e 2024, é o sucessor de Francisco José Carvalho no cargo de presidente da SAD do Grupo Desportivo de Chaves.

A nova administração da SAD foi dada a conhecer na sexta-feira, 19 de setembro, no Estádio Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira, onde, para além de Dante Elizalde, foram também apresentados Eduardo Fentanes, Diretor para o Futebol, e Manyra Hernandez, Diretora Executiva.

O novo líder dos “Valentes Transmontanos” revelou que o “prestígio” e a “seriedade” do clube flaviense foram os fatores principais que levaram este grupo mexicano a investir em Chaves.

“A decisão de chegar a Chaves é multifatorial, o que nos permite e nos faz tomar esta decisão é a seriedade da direção anterior. A família Carvalho, para além de ter um profundo amor pela região, tinha uma grande administração no clube. É um clube que tem muito prestígio, dentro e fora do campo, e isso deve-se a esse fator da seriedade com os intermediários, representantes e com toda a família do futebol. Era unânime que GD Chaves é um clube sério e cumpridor, e isso chamou-nos, poderosamente, à atenção porque nós também somos isso. Somos uma empresa séria e cumpridora. A nossa conversa foi muito pontual e clara, e, desde o primeiro momento em que nos sentamos a conversar, nos escritórios do clube, chegamos logo a um acordo. Demos um aperto de mão, como se faz no México e em Portugal, como fazem as pessoas sérias, e foi assim que demos conta o quão profunda é a afinidade que existe entre as pessoas de Chaves e nós”, explicou Dante.

Abordado em relação à atual temporada e aos objetivos traçados para a mesma, Dante Elizalde foi categórico na sua resposta: “O Grupo Desportivo de Chaves deve estar na primeira divisão (…)”.

“A mensagem que dei aos jogadores e colaboradores do clube, no momento do anúncio desta transação, foi essa [subir de divisão]. O Grupo Desportivo de Chaves deve estar na primeira divisão, estivemos a trabalhar para a formação deste plantel e estamos muito satisfeitos pelo trabalho realizado. Reitero, com muita clareza, que é esse o objetivo”.

Apesar de considerar que o plantel flaviense seja “sólido” e “bem formado”, Dante Elizalde assegura que se for necessário “fazer algum ajuste ou trazer algum reforço, vamos fazê-lo. O objetivo é levar o Chaves à primeira divisão”.

Identidade do clube é inalterável: “não temos nenhuma autoridade para mudar nada (…)”

Com o emblema flaviense prestes a cumprir 76 anos de história, Dante Elizalde frisou que com a chegada da comitiva mexicana a identidade do clube será respeitada e mantida.

“Queremos respeitar as tradições, o equipamento, as cores, a essência. Chegamos com absoluta humildade para nos integrarmos, e não para nos impormos numa equipa que tem 80 anos de tradição e que não temos nenhuma autoridade para mudar nada. Respeitamos muito a cultura e os costumes daqui, além disso, são costumes que compartilhamos”.

Dante admite que a vinda do grupo empresarial mexicano pode gerar “algumas reservas” na massa adepta flaviense, mas garante trabalhar para que o Desportivo de Chaves seja “um motivo de orgulho”.

“Gerar confiança entre as duas partes é algo que é difícil, uma vez que sempre que conhecemos alguém novo, principalmente sendo estrangeiro e sem saber falar a tua língua, temos algumas reservas. Mas o que vamos fazer é abrir-nos, falar com o coração e por todo o nosso empenho e esforço para fazer com que Chaves seja um motivo de orgulho de toda a região transmontana, que represente os valores e a identidade desta região, que são a força, o trabalho, a garra, a entrega, e é isso que nos comove, motiva e exige todos os dias”, garantiu o dirigente mexicano.

Acordo visa possível investimento milionário no Estádio Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira

Tal como havia anunciado o clube num comunicado publicado nas redes sociais, onde dava nota que o acordo contempla “um investimento até 4 milhões de euros no Estádio Municipal, a concretizar após a subida do GD Chaves à I Liga e mediante a formalização de uma concessão do Estádio por 50 anos ao Clube”, Dante Elizalde confirmou esse investimento e foi mais além.

“Assim que subirmos à primeira divisão, temos uma obrigação protocolada com a [Câmara Municipal de Chaves] de fazer melhorias no Estádio [Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira] para que possa acolher jogos da primeira divisão. Ao mesmo tempo, estamos a fazer um estudo muito sério, que vai durar 24 meses, para entender quais são as necessidades da equipa. Cremos que temos de fazer uma revisão profunda das instalações do Complexo [Desportivo Francisco Carvalho]”, adiantou.

Club Atlético La Paz o novo clube irmão do Grupo Desportivo de Chaves

Fundado em 2022, o Club Atlético La Paz nasce da compra dos direitos desportivos do Tampico Madero FC, na altura detido pelo Grupo Orlegi, por parte de Arturo Lomelí que deslocou o clube de Tamaulipas, no nordeste do México, para La Paz, no noroeste, a mais de mil quilómetros de distância.

A formação mexicana, agora apelidada Club Atlético La Paz, compete na segunda divisão mexicana desde a temporada 2022/2023, sendo que o sistema de descida e subida dos campeonatos profissionais mexicanos está suspenso desde 2019 e só será retomado na temporada 2026/2027.

No que diz respeito à cooperação entre Desportivo de Chaves e CA La Paz, Dante Elizalde assegura que será feita de “forma autónoma” e que irá aproveitar “sinergias positivas”.

“O nosso trabalho é cooperar de forma autónoma, são clubes que têm as suas próprias administrações e os seus próprios métodos de trabalho e, claro, quando encontramos sinergias positivas, vamos aproveitá-las. Quais são essas sinergias positivas? Estabelecer todo o “know how” [saber fazer] que já existe, por exemplo, em termas de marketing, comercialização, algo que se faz muito bem no México. Para além disso, há talento mexicano que pode fazer parte dos quadros do GD Chaves, mas também há muito talento português, que está hoje neste clube, que pode fazer parte do plantel do CA La Paz”, explicou.

Empresário Arturo Lomelí é o novo dono da SAD azul-grená

O novo dono da SAD do Grupo Desportivo de Chaves é Arturo Lomelí Camacho, fundador e CEO da Clase Azul, um grupo empresarial mexicano produtor de bebidas alcoólicas destiladas, como tequila e mezcal.

Esta empresa, fundada em 1997, exporta, segundo a Forbes, para mais de 90 países e tem uma receita anual estimada de 150 milhões de dólares. Ainda de acordo com a revista Forbes, analistas da indústria alimentar apontam que em caso de venda desta empresa, o negócio ultrapassaria a casa dos mil milhões de dólares.

Arturo Lomelí passa agora a deter dois clubes, o Club Atlético La Paz e o Grupo Desportivo de Chaves.

Legado de 12 anos de Francisco José Carvalho chega ao fim

A venda da SAD do Grupo Desportivo de Chaves coloca um ponto final no legado de Francisco José Carvalho ao leme do emblema azul-grená.

Ao longo de 494 jogos sob a sua liderança, o Desportivo de Chaves assegurou duas subidas ao principal escalão do futebol português, assim como a presença nas meias-finais da Taça de Portugal. Fora das quatro linhas, Francisco José Carvalho foi responsável pela “modernização do Estádio Municipal, a edificação do Topo Sul, a construção do Complexo Desportivo Francisco Carvalho”.

Diogo Batista
Fotos: Carlos Daniel Morais, GD Chaves e DR


23/09/2025

Desporto


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