Vila Pouca de Aguiar assinala Dia Mundial de Combate à Desertificação com apelo à valorização das pastagens


Especialistas, representantes de entidades públicas e produtores defenderam na quarta-feira, 17 de junho, em Vila Pouca de Aguiar, a valorização das pastagens e da pastorícia extensiva como ferramentas “essenciais” para combater a desertificação, preservar a biodiversidade e reforçar a resiliência dos territórios rurais às alterações climáticas.

O Auditório Municipal de Vila Pouca de Aguiar acolheu um seminário dedicado ao Dia Mundial de Combate à Desertificação e Seca 2026, iniciativa promovida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que reuniu especialistas, produtores e entidades públicas para debater o papel das pastagens e da pastorícia na sustentabilidade dos territórios rurais.

Subordinado ao tema definido pelas Nações Unidas, “Pastagens: Reconhecer | Respeitar | Restaurar”, o encontro coincidiu com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores e procurou sensibilizar para a importância destes sistemas na conservação dos solos, da biodiversidade e na adaptação às alterações climáticas, referiu o ICNF.

Na abertura da sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, José Luís Teixeira, defendeu a valorização das comunidades locais e das práticas tradicionais ligadas ao mundo rural.

“Vamos procurar valorizar as comunidades locais. As pessoas que ficam nas aldeias, os pastores e as tarefas do quotidiano têm um impacto muito positivo na formação e manutenção da paisagem e das pastagens“, afirmou.

O autarca considerou ainda que a data constitui uma oportunidade para reafirmar a necessidade de preservar os solos e encontrar formas mais eficientes de utilização da terra e da água.

A representante nacional da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Elsa Santos, alertou para a dimensão do problema em Portugal.

“Neste momento, metade de Portugal está suscetível à desertificação e parte deste problema poderá advir das alterações climáticas, mas há uma parte significativa que advém de práticas menos adequadas de gestão da terra“, realçou.

Elsa Santos destacou a futura transposição para Portugal da diretiva europeia para a reabilitação dos solos e o Plano Nacional de Restauro como instrumentos que poderão contribuir para travar o avanço da desertificação.

Por sua vez, a diretora regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte, Sandra Sarmento, sublinhou que as pastagens desempenham um papel mais amplo do que o suporte alimentar do gado.

“As pastagens são muito mais do que suporte alimentar do nosso gado. São suporte de biodiversidade e de sustentação do solo, elementos absolutamente fundamentais na estratégia de combate à desertificação e à seca”, defendeu.

 

Sandra Sarmento salientou ainda a necessidade de articulação entre áreas como a agricultura, o ambiente e o ordenamento do território para responder aos desafios impostos pelas alterações climáticas.

Já o vice-presidente da CCDR-Norte para as áreas da Agricultura e Pescas, Paulo Ramalho, recordou a importância da sensibilização da sociedade para estas matérias e defendeu o papel dos agricultores na preservação ambiental.

 “Se há alguém que tenha capacidade de promover a biodiversidade e o meio ambiente são os agricultores. Eles são os principais beneficiados desse bom ambiente que tanto desejamos“, afirmou.

Paulo Ramalho considerou ainda que muitas das dificuldades existentes resultam do desconhecimento, e defendeu maior promoção do conhecimento junto das populações e dos agentes locais.

O programa incluiu uma intervenção de Carlos Aguiar, do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), dedicada à importância das pastagens no combate à desertificação, seguindo-se uma mesa-redonda moderada por Tomás Figueiredo, também do IPB.

O debate contou com a participação de Duarte Marques, da AguiarFloresta, Henrique Godinho, do projeto Life Maronesa, Tommy Ferreira, do Casal da Bouça, e Avelino Rego, do Conselho Diretivo dos Baldios da Freguesia de Alvadia, em Ribeira de Pena.

Segundo a organização, a iniciativa procurou “identificar boas práticas e modelos sustentáveis de produção pecuária extensiva capazes de contrariar o abandono das pastagens de montanha, reforçar a resiliência climática dos territórios e valorizar os recursos naturais”.

O projeto Life Maronesa, promovido pela Aguiar Floresta, foi apresentado como um exemplo de sucesso na valorização das raças autóctones, da pastorícia e da gestão sustentável do território.

O seminário terminou com uma visita de campo destinada a mostrar exemplos práticos de gestão das pastagens e de adaptação dos sistemas produtivos aos desafios ambientais atuais.

 

Sara Esteves e Giovane Rodrigues

Fotos: Giovane Rodrigues


24/06/2026

Sociedade


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