Montalegre discute futuro dos baldios e apela ao reforço do financiamento e da pastorícia extensiva
O futuro dos baldios esteve na segunda-feira, 15 de junho, em debate em Montalegre, numa conferência que reuniu governantes, autarcas, dirigentes associativos e representantes do setor agrícola.
No encontro o Ministro da
Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, defendeu uma maior valorização dos
baldios e da pastorícia extensiva, considerando-os “fundamentais” para a coesão
territorial, a prevenção de incêndios e a criação de rendimento no mundo rural.
MINISTRO DA AGRICULTURA DESTACA PAPEL DOS BALDIOS NO DESENVOLVIMENTO
DOS TERRITÓRIOS RURAIS
Na conferência dedicada à gestão
e produtividade das áreas comunitárias, o governante sublinhou a importância
dos agrupamentos de baldios para o futuro dos territórios rurais. “Os
agrupamentos de baldios dão escala. Temos de unir os territórios e unir
Portugal, tirando partido das nossas forças e das nossas especificidades”,
afirmou, citado numa nota enviada pelo município.
José Manuel Fernandes destacou
ainda o papel dos agricultores e produtores na preservação do território,
defendeu que a pastorícia extensiva é uma ferramenta “essencial” para reduzir o
risco de incêndios, promover a biodiversidade e gerar riqueza local. O ministro
reforçou também a aposta do Governo na renovação geracional, tendo considerado que
o futuro da agricultura depende da capacidade de atrair jovens para o setor.
“Duplicámos os apoios aos jovens agricultores. O futuro da agricultura de
Montalegre e do país depende da renovação geracional”, referiu ainda citado.
Para o responsável pela tutela, a
agricultura deve ser encarada como um setor estratégico para o desenvolvimento
do país. “Temos de deixar de olhar para a agricultura como um setor secundário.
A agricultura é o primeiro setor e continuará a ser o primeiro setor”,
concluiu.
CAP CONSIDERA ESSENCIAL O COMPROMISSO COLETIVO PARA O FUTURO DOS
BALDIOS
O presidente da Confederação dos
Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, defendeu que a
capacitação das comunidades locais e o fortalecimento das estruturas de gestão
dos baldios são “fatores determinantes” para o desenvolvimento dos territórios
rurais. "Capacitar as comunidades é investir na sua autonomia, na sua
capacidade de decisão e no futuro dos territórios", afirmou, citado.
Álvaro Mendonça e Moura sublinhou
ainda que este esforço permite às comunidades "captar financiamento,
desenvolver projetos, mobilizar recursos e criar novas oportunidades
económicas", reforçando a capacidade de intervenção dos compartes e das
estruturas de gestão locais.
O responsável destacou igualmente
a importância dos agrupamentos de baldios, considerando que "estão a
demonstrar que é possível encontrar soluções modernas para problemas
antigos", através da cooperação entre o Estado, as organizações agrícolas,
as comunidades locais e as restantes entidades do território.
COOPBARROSO SUBLINHA PAPEL DA PASTORÍCIA EXTENSIVA NO TERRITÓRIO
Também o presidente da
Coopbarroso, Nuno Sousa, defendeu a necessidade de assegurar a continuidade do
financiamento aos baldios e às comunidades locais, bem como o reforço do
investimento na pastorícia extensiva, considerada uma atividade fundamental
para o futuro dos territórios de montanha.
Na sua intervenção, reforçou
ainda que o investimento nos baldios e na atividade agropecuária representa uma
aposta “estratégica” para a economia local, para a fixação de população e para
a renovação geracional, acrescentando que "apoiar quem vive e trabalha
nestes territórios é garantir a sua sustentabilidade e criar condições para que
as novas gerações possam aqui construir o seu futuro", refere citado na
mesma nota.
Nuno Sousa defendeu uma maior
valorização do mundo rural e das comunidades locais, considerando que "os
baldios, a agricultura e a pecuária são pilares fundamentais do desenvolvimento
sustentável do Barroso e devem continuar a merecer o apoio das entidades
públicas e da sociedade em geral".
FÁTIMA FERNANDES DEFENDE VALORIZAÇÃO DOS BALDIOS E APOSTA NAS NOVAS
GERAÇÕES
A presidente da Câmara Municipal
de Montalegre, Fátima Fernandes, destacou a importância estratégica dos baldios
para o desenvolvimento do concelho.
Durante a conferência dedicada à
gestão e produtividade das áreas comunitárias, a autarca sublinhou que os
baldios representam muito mais do que um património histórico e cultural,
assumindo-se também como um importante recurso económico e ambiental. “É
preciso olhar de forma diferente para o baldio, porque o baldio é muito
importante para o nosso território e para o seu futuro”, afirmou.
Fátima Fernandes salientou ainda
o papel dos baldios na prevenção dos incêndios rurais e na promoção da
sustentabilidade ambiental, considerando que “baldios limpos são uma garantia
de menor risco de incêndio e uma ferramenta fundamental para a preservação
ambiental”. A autarca aproveitou igualmente a ocasião para deixar uma mensagem
dirigida aos mais jovens, de reforço da importância da agricultura e da
pecuária para o futuro do concelho. “Montalegre é um território agrícola e
pecuário. Importa mostrar aos jovens que é possível construir aqui um projeto
de vida com rendimento e futuro”, referiu citada no mesmo documento.
Sara Esteves
Fotos: CM Montalegre
16/06/2026
Sociedade
. Partilha Facebook


