Piscinas da Ribeira de Oura contestam corte de água e Junta de Freguesia invoca regulamento e prevenção de escassez
A proprietária das Piscinas da Ribeira de Oura acusa a Junta de Freguesia de Oura, no concelho de Chaves, de suspender o abastecimento de água, enquanto o autarca local admite que a medida resulta da aplicação do regulamento de abastecimento e visa prevenir problemas de escassez semelhantes aos registados em 2022.
Em declarações ao Canal Alto
Tâmega, Liliana Rodrigues afirmou que o fornecimento de água ao empreendimento privado
foi cortado a 15 de maio. Segundo a proprietária, no dia 29 de maio recebeu um
correio eletrónico da Junta a informar sobre a suspensão em diferentes períodos
a partir de segunda-feira, dia 01 de junho.
“Desde o dia 15 de maio que nos cortaram a água completamente e depois
no dia 29 de maio enviaram um email a dizer que a partir de 01 de junho só
abriam a água das 11h às 13h e das 19h às 20h”.
A empresária explicou que as
piscinas não são abastecidas pela água gerida pela Junta de Freguesia, mas sim com
recurso aos bombeiros. “Fui comprar à
Câmara e os bombeiros vieram encher”.
Liliana Rodrigues refere ainda que
a falta de água afeta o funcionamento do restaurante, das casas de banho e dos
restantes serviços do empreendimento, abastecidos pela água cuja entidade
gestora é a freguesia.
"É a primeira vez que isto acontece. O Presidente achou que havia
falta de água e que as piscinas que não tinham direito à água, sendo que todos
o resto dos estabelecimentos e casas, tudo tem água", afirmou.
Liliana Rodrigues diz ter
solicitado acesso ao regulamento, sem sucesso, e considera que a situação está
relacionada com conflitos anteriores entre a sua família e o presidente da
Junta, nomeadamente com um processo judicial relacionado com uma passagem de
condutas.
“Ele meteu-nos um processo em tribunal há dois anos por causa de uma
passagem de um tubo de água de um terreno que temos aqui mais à frente, com
muita água. Fizemos um projeto à Câmara e no dia em que começamos a fazer a
obra ele foi embargar a obra e já veio o final da ação e diz que não podem
recorrer mais vez nenhuma”.
A proprietária adiantou ainda que
apresentou uma providência cautelar contra a Junta de Freguesia e a Câmara
Municipal e que continua a aguardar uma decisão judicial.
Contactado pelo Canal Alto Tâmega,
o presidente da Junta de Freguesia, Raúl Salvador, afirmou que a decisão visa
evitar uma repetição da situação vivida em 2022, ano em que, segundo o autarca
local, a população da aldeia enfrentou fortes restrições no abastecimento.
"Isto é, para nos prevenirmos e não repetirmos o que tivemos aqui
em 2022. Foi o pior verão de sempre em que o povo de Oura teve água quatro
horas por dia, (…) Foram três meses… (…) partiu o contador para não pagar, mas
isto está em tribunal ", disse.
"Esta suspensão é então uma medida preventiva. Não podemos estar a
fornecer água para umas piscinas que são um investimento, é um empreendimento
privado", afirmou o presidente da Junta.
Raúl Salvador alegou ainda que o proprietário
do empreendimento terá realizado consumos excessivos e comportamentos
irregulares relacionados com o abastecimento de água.
“A piscina leva mais de um milhão de litros e estava a passar no
contador água para a piscina na ordem dos 13/14 mil litros por hora, são 13m3”.
Segundo o presidente de junta, o pedido
para abastecimento pelos bombeiros foi realizado no mesmo dia em que foi
interrompido o fornecimento. “Foi uma
encomenda de mais de 400m3, mas a piscina leva mais de mil m3. Vieram os bombeiros
acabar de encher porque quando me apercebi já a piscina estaria a meio ou a
mais de meio”.
O Canal Alto Tâmega confirmou
junto dos Bombeiros de Vidago tendo a associação afirmado que foram fornecidos
672m3.
O autarca refere que o
abastecimento continua disponível para consumo doméstico em horários definidos.
"Neste momento está a ter água para o uso doméstico, que é 11h à
13h, que é a hora de refeições, se eles quiserem organizar a cozinha. E ao fim
do dia. Agora para a piscina, tudo que seja relacionado com a piscina, aí
não", disse.
Segundo o regulamento de
abastecimento de água da freguesia a que o Canal Alto Tâmega teve acesso,
aprovado a 07 de junho de 2024, nos meses de junho, julho, agosto e setembro,
ou noutros períodos de carência, o fornecimento destina-se a "consumo exclusivamente doméstico".
O documento prevê ainda que, em caso de estiagem e falta de água, a Junta possa
definir cortes e restrições ao abastecimento.
O regulamento estabelece ainda
que constituem contraordenação o "abuso
de consumo em períodos de carência", e prevê coimas “de 250,00€ e/ou corte de água por período a
considerar pela Junta de Freguesia”, lê-se no artigo 15 do regulamento.
O documento estipula ainda que
nos meses de junho, julho, agosto e setembro “ou outros meses a definir em cada ano, os consumidores que ultrapassem
o consumo médio, definido pela Junta de Freguesia para cada caso e período,
serão punidos com a coima de 20,00 € por m3 consumido a mais e/ou corte de água
por tempo a considerar pela Junta de Freguesia”.
A proprietária do estabelecimento
previa abrir portas a 31 de maio, mas até ao momento aguarda uma solução.
Foto arquivo: DR
02/06/2026
Sociedade
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