Chaves promove caminhada de sensibilização para identificar barreiras à mobilidade urbana
O Município de Chaves promoveu na quarta-feira, 21 de maio, uma caminhada de sensibilização sobre acessibilidade urbana para alertar para as dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas com mobilidade condicionada. A iniciativa inseriu-se no âmbito do Plano de Promoção da Acessibilidade Universal dos Espaços Públicos de Chaves e Vidago (PPAU) que foi apresentado no mesmo dia, na Biblioteca Municipal de Chaves.
A ação decorreu na zona urbana
central da cidade, no Largo General Silveira, e reuniu pessoas com deficiência
visual e motora, participantes sem limitações físicas, incluindo o executivo
municipal, que experimentaram, em grupos, circular no espaço público com
equipamentos auxiliares de locomoção e vendas nos olhos.
José Santos, de 65 anos e com
deficiência visual, apontou várias barreiras arquitetónicas existentes na
cidade, e disse que evita deslocar-se sozinho “porque sei que há barreiras arquitetónicas que nos prejudicam a
locomoção e que podiam ser melhoradas”.
“As barreiras maiores que eu sinto aqui na cidade, para uma pessoa andar
sozinho, por um lado, são as esplanadas que encontramos e os postos que são nossos
inimigos”, afirmou.
O professor de História destacou
ainda os obstáculos causados por sinais de trânsito, postes de eletricidade e
veículos estacionados nos passeios. José Santos defendeu também a instalação de
mais semáforos sonoros. “Hoje em dia há
possibilidade de colocar semáforos com sinais sonoros para os peões, e às vezes
é isso que também que nos falta”, disse.
Javier López, participante sem
deficiência e que integrou a experiência com venda nos olhos, descreveu as
dificuldades sentidas durante o percurso. “A
verdade é que senti dificuldades, porque não poder olhar para baixo, não ter
consciência dos perigos que podemos reparar no chão é algo primordial”, destacou.
Segundo este cidadão, a
experiência permitiu compreender melhor as limitações enfrentadas diariamente
por pessoas com deficiência visual. “Não
sabes nada do que ocorre ao teu redor, é muito limitante”, afirmou
Gabriel Miranda, com dificuldades
de locomoção, considerou que as acessibilidades na cidade “estão a melhorar”, embora continue a identificar problemas
relacionados com “o piso e as árvores nos
passeios”.
Já Paulo Félix, utilizador de
cadeira de rodas, apontou como principais dificuldades os passeios estreitos e
os automóveis estacionados em locais indevidos. “As dificuldades são os passeios serem muito curtos e principalmente os
carros em cima dos passeios”, disse.
O presidente da Câmara de Chaves,
Nuno Vaz, afirmou que o município, com a ajuda de uma equipa externa, está a
elaborar um plano de acessibilidades para Chaves e Vidago, e defende que as
cidades devem ser pensadas para todos os cidadãos, independentemente das suas
limitações físicas ou motoras.
“Nós sabemos que as cidades modernas, sobretudo as cidades mais
desenvolvidas, têm crescentemente procurado soluções que sejam mais inclusivas
e mais integradoras”, afirmou.
Segundo o autarca, o processo
inclui uma fase de diagnóstico e identificação de obstáculos existentes no
espaço público, com o objetivo de construir um plano de intervenção a curto,
médio e longo prazo.
Nuno Vaz explicou que o município
pretende incorporar critérios de acessibilidade em futuras obras e
requalificações urbanas, embora admita que nem todas as limitações podem ser
corrigidas de imediato, devido ao impacto financeiro das intervenções.
“Nós temos a noção que claramente não teremos capacidade no imediato de
corrigir todas as desconformidades, todos os obstáculos, todas as limitações que
sejam identificadas, mas com certeza haverá muitas intervenções cujo impacto
financeiro não seja tão substancial e, portanto, essas, com certeza serão
feitas de imediato”, disse.
O presidente da autarquia referiu
ainda que muitas intervenções recentes já tiveram em consideração preocupações
relacionadas com mobilidade reduzida e deficiência visual, mas defendeu uma
maior sensibilização da comunidade para comportamentos cívicos no espaço
público.
“Para além dos obstáculos físicos, permanentes, depois temos veículos
estacionados em cima do passeio, esplanadas fora do lugar em que está
autorizado, temos depois colocação de objetos que não estão autorizados no
espaço do domínio público”, apontou.
O autarca admitiu ainda que o uso
de paralelo em zonas pedonais deverá ser reavaliado em futuras intervenções
urbanísticas. “No espaço para utilização
de peões, provavelmente deve ser uma solução que deve ser ponderada e
porventura, em muitos casos, não ser adotada”, afirmou.
O Plano de Promoção da
Acessibilidade Universal dos Espaços Públicos de Chaves e Vidago (PPAU –
Fases 1 e 2) foi apresentado na noite de 20 de maio, na sala
Multiusos da Biblioteca Municipal, numa sessão pública de sensibilização. Sob o
mote "Chaves para as Pessoas", a sessão pretendeu “aproximar a comunidade do processo em
desenvolvimento, recolher contributos da população e reforçar o papel ativo de
todos na construção de uma cidade mais acessível, inclusiva e preparada para
responder às necessidades de cada cidadão”, disse o município.
O projeto é desenvolvido no
âmbito do Programa Regional Norte 2030 e cofinanciado pela União Europeia.
Texto e Fotos: Sara Esteves
21/05/2026
Sociedade
. Partilha Facebook

