Centro Social promove interação entre crianças e adultos com deficiência
O Centro Social e Paroquial Padre Sebastião Esteves, localizado na sede de concelho da freguesia de Vila Pouca de Aguiar, é uma instituição sem fins lucrativos, com a valência de Creche e de Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI) para jovens e adultos com deficiência. Um dos seus objetivos é promover a interação social entre estes dois grupos.
Os largos anos de experiência
permitiram ao Centro Social e Paroquial ir mais além com as suas duas valências
e juntá-las, através do projeto “Crescer com a Diferença”.
Afirmam-se como uma instituição que
“procura fazer a diferença na vida dessas pessoas, proporcionando-lhes um
ambiente inclusivo e acolhedor”. Através de atividades e programas adaptados, “o
Centro Social promove o desenvolvimento educacional, pessoal, social e
emocional de todos os seus destinatários”.
Atualmente com uma equipa de
cerca de 30 pessoas acreditam que desempenham um “papel fundamental na
comunidade, promovendo o respeito, a igualdade e a solidariedade”.
O Centro Social e Paroquial Padre
Sebastião Esteves foi fundado em 1982 pelo então pároco de Vila Pouca de
Aguiar, Padre Sebastião Esteves, que dispunha da valência de creche como
resposta social. A partir de 2012 o Padre António Paulo Rodrigues assume a
presidência da instituição e é pela sua mão que surge, em 2015, uma outra
resposta social, com a implementação de uma nova valência, o CACI, com o
objetivo de apoiar e capacitar a pessoa adulta com deficiência física e/ou
mental, adquirida ou congénita e que não permita à pessoa ter uma atividade socioprofissional
ativa.
Daniela Cardoso é Psicóloga e
Diretora Técnica do CACI e adianta que esta valência foi muito solicitada pela
comunidade devido à lacuna de acompanhamento destes jovens com deficiência,
aquando do fim do ensino obrigatório. “Foi pedida por muitos pais pela necessidade
de as pessoas com deficiência saírem da escola e terem um sítio para onde ir,
porque não se enquadram nem num trabalho, ou em ficar em casa sem fazer nada”,
explica.
A Diretora Técnica do CACI
relembra que, quando iniciaram atividade, receberam utentes que não tinham
acompanhamento especializado e os pais e familiares faziam o melhor que podiam.
“A maior parte dos primeiros utentes que tivemos, já tinham saído da escola e
estava há dois ou três anos em casa, ou sem fazer nada, ou estavam nas aldeias,
por exemplo, e começaram a trabalhar com os pais, mas acabavam por não ter
estimulação nenhuma”. Daniela Cardoso refere o caso de uma utente com paralisia
cerebral que perdeu capacidades comunicativas uma vez que “estava em casa e
deixou de estar em comunicação com mais pessoas, como estava antes, e quando
chegou aqui [CACI] no início não se percebia o que dizia, porque deixou de ter
o estímulo”.
“A nossa instituição não é um centro de dia para eles estarem ocupados”
Para reforçar esta questão, a
Diretora Técnica salienta a importância das terapias. “A nossa instituição não
é um centro de dia para eles estarem ocupados. É um centro que tem terapias
para eles serem estimulados, todos os dias, e ganharem competências ou prevenir
que piorem”.
Daniela Cardoso dá o exemplo de um
dos utentes do CACI que passou a funcionário da instituição, uma vez que o
Centro Social e Paroquial tem o selo de Entidade Empregadora Inclusiva 2025.
“Queremos que eles ganhem competências para trabalhar ou para ter uma vida mais
ativa”.
Para a instituição é essencial
criar rotinas aos jovens e adultos com deficiência que, à partida, podem
parecer básicas no dia-a-dia, mas que lhes têm de ser instituídas pois, por
vezes, os pais não lhas conseguem implementar por não estarem capacitados da
melhor forma de o fazer, refere. Em relação à alimentação, por exemplo, as
pessoas com deficiência “têm o impulso de comer mais, não sabem controlar as
quantidades, ou seja, se perguntares se querem mais, vão responder-te sempre
que sim, mesmo que já tenham comido bem”.
A responsável pelo CACI refere
que ao longo dos anos foram trabalhando este aspeto e, inclusivamente,
alteraram os lanches fornecidos aos utentes. “Antes tínhamos uma preocupação de
ter aqui lanches reforçados, para irem bem alimentados para casa, e depois
apercebemo-nos de que, na sua maioria, comiam aqui e logo a seguir chegavam a
casa, passado meia hora, e estavam a lanchar”. Daniela Cardoso explica que “não
deixamos descuidar e de ter uma preocupação com os lanches, mas em vez de dar
um lanche muito reforçados, damos antes um reforço”.
Neste momento, o CACI tem
capacidade para receber oito jovens e adultos com deficiência, a partir dos 18
anos, entre as 9 horas e as 16h30, devido ao horário do transporte apoiado pelo
Município de Vila Pouca de Aguiar.
Creche com
capacidade para 42 crianças
A valência da Creche
do Centro Social e Paroquial Padre Sebastião Esteves tem capacidade para 42
crianças dos quatro meses aos três anos. Dispõem de três salas, começando no
berçário com 10 bebés; a sala Panda, que vai desde a aquisição da marcha até
aos dois anos; e a sala Traquinas, que é dos dois aos três anos.
Nesta área, intervêm
ao nível da educação infantil e educação social e ainda ao nível da
reabilitação psicomotora.
Sara Pinto, Diretora Técnica da Creche e Terapeuta
de Reabilitação Psicomotora explica que na Creche “está presente uma vertente
educativa, que procura não apenas trabalhar competências importantes do
desenvolvimento infantil nas suas diversas áreas (pessoal, social, emocional,
cognitiva e motora), mas também sensibilizar para temas importantes como a
proteção ambiental, a inclusão e o respeito pelo outro e pela sua
individualidade, de acordo com a fase do desenvolvimento”.
A
responsável pela Creche frisa ainda que “para tal, está presente não apenas uma
intervenção educativa, mas também técnica, em áreas relevantes como a
psicomotricidade, atividade física, psicologia e educação social”.
A simbiose da Creche
com o CACI
O projeto “Crescer
com a Diferença” nasceu em 2016 numa parceria com a Animódia, a companhia de
teatro e artes performativas de Vila Pouca de Aguiar, que era o elo de ligação
entre as duas respostas sociais do Centro. “Através da arte, fazia atividades
em que unia as duas respostas e que tornava tudo mais leve para as crianças que
iam brincar ou seguir essas atividades com os utentes, acabava por tentar que
não houvesse preconceito e promovia a inclusão, para não haver aquele olhar
diferenciador para as pessoas diferentes”.
“Ao uni-los
percebemos que podíamos ir mais além”, sustenta a Diretora Técnica do CACI. Com
o objetivo de fazer com que “os utentes se sintam úteis” a instituição percebeu
que “alguns dos utentes que têm competências para isso podiam dar de comer aos
bebés, empurrar o carrinho, fazer mais coisas com as crianças”. Como resultado
ao longo dos anos, diz Daniela Cardoso, “já vimos crianças que cresceram na
creche, saíram, veem utentes e falam normalmente com eles, acham tudo normal”.
Do lado dos utentes,
a equipa técnica verificou que muitas vezes se identificam com o comportamento
das crianças, “temos aqui adultos com deficiência que acabam por ter a
capacidade de algumas crianças a nível mental, e integram-se bem com essas
atividades”, ressalva a responsável pelo CACI. Acrescenta ainda que “os outros utentes
que promoviam estas atividades de vida diária, como dar de comer, dar colinho,
como empurrar um carrinho, sentem-se super úteis e numa vida ativa”, conclui.
Nestes casos, Daniela Cardoso salienta que o sentimento é de felicidade, “sentem-se
muito contentes ao chegarem aqui e contarem que adormeceram um bebé”.
Cuidar de quem cuida
O Gabinete de Gestão
de Bem-Estar e Felicidade surgiu há quase dois anos devido à necessidade “de cuidar
do bem-estar dos colaboradores desta instituição, porque eles estão a cuidar
das crianças da creche e dos utentes do CACI, e também têm que ser cuidados,
para poderem dar a melhor resposta que conseguem”, avança Magda Cardoso,
Psicóloga e Técnica responsável pelo Gabinete de Gestão de Bem-Estar e
Felicidade.
Além destas
competências, Magda Cardoso é formada em terapia e treino corporativo assistido
por cavalos, e tem uma certificação internacional em gestão de bem-estar e
felicidade. “Integrei aqui todo o meu conhecimento nestas áreas e criámos este
gabinete onde damos uma resposta para cuidar do bem-estar destes colaboradores,
mas de uma forma pouco diferente”.
A responsável pelo Gabinete
de Gestão de Bem-Estar e Felicidade explica que as atividades são feitas ao ar
livre, quando o tempo assim o permite e, sempre que possível “assistidos por
cavalos porque o cavalo dá-nos uma resposta e, a partir do momento que nós
conseguimos comunicar com o cavalo, também vamos transportar isso para a nossa
vida pessoal e profissional, porque ele é espelho da nossa forma de comunicar”,
esclarece Magda Cardoso.
Um outro objetivo do
gabinete é fazer com que os colaboradores “encontrem um equilíbrio entre a sua
vida profissional e pessoal, dada a exigência do trabalho que eles têm aqui
porque não é fácil chegar a casa e desligar do trabalho”.
Também os pais das
crianças são tidos em conta nesta área do Centro Social, uma vez que “eles
também são cuidadores, são os primeiros cuidadores das nossas crianças aqui da
instituição, com todos os desafios diários que têm”. Neste sentido, irão fazer
em maio uma sessão informativa que se estende a toda a comunidade aguiarense
para, primeiro, “ouvir as suas necessidades” e depois desenvolverem trabalho
para lhes poder corresponder.
Novas instalações
para breve
Segundo o Padre António Paulo
Rodrigues, as novas instalações do Centro Social e Paroquial Padre Sebastião
Esteves vão ser inauguradas em breve, localizadas em frente ao Jardim de
Infância de Vila Pouca de Aguiar. No novo Centro Social e Paroquial irá
funcionar a Creche e o CACI, permitindo uma maior interligação entre os dois
grupos, e ainda outro tipo de resposta social com mais vagas e até o
alargamento de algumas competências.
Ângela Vermelho
Fotos: Ângela Vermelho e Rui
Almeida
06/05/2026
Sociedade
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