Quadros dão nova vida a coleção de vinhetas de tabaco
Está patente no Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues, em Vila Pouca de Aguiar, a Exposição de Arte Ressignificar “Vinhetas do Tempo – Entre a Matéria e a Memória”, do artista aguiarense Orlando Silva. Nos quadros, o autor utilizou a sua coleção de vinhetas de tabaco como forma de lhes dar um novo significado.
Orlando
Nunes da Silva tem 71 anos, é natural de Cidadelha de Aguiar, e colecionava,
desde há 15 anos, as vinhetas que vinham nas caixas de tabaco. Para este acervo
de quadros decidiu utilizá-las de forma a preservar a sua coleção. “A ideia
surgiu de mim e por isso é que é tudo abstrato”.
O
artista, que utilizou tinta acrílica com técnicas mistas, crê que o resultado
do seu trabalho seja inovador. “Acredito mesmo que é o único”. Com a exposição
Ressignificar “Vinhetas do Tempo – Entre a Matéria e a Memória” pretende dar um
novo significado aos selos que colecionou. Na visão do autor, é um tipo de arte
que, à medida que observamos, vamos gostando cada vez mais.
Para
a curadoria do Museu Municipal, Orlando Silva “encontrou uma forma singular de
expressão: as vinhetas de tabaco que colecionou ao longo da vida tornaram-se
matéria da sua arte. É um gesto de reinvenção - pegar numa marca de destruição
e ressignificá-la na sua pintura”. Descrevem ainda que as “suas telas não
escondem fragilidade, mas revelam resiliência. São testemunhos visuais de uma
vida intensa, onde a memória se converte em cor, textura e verdade. A sua obra
é, acima de tudo, humana: imperfeita, bela e profundamente autêntica”.
A coleção patente no Museu Municipal é
de arte abstrata, mas o autor diz que pintou “de tudo,
desde aguarela a retratos”.
Fez
vida em Vila Nova de Gaia, no Porto, e sendo empresário no ramo automóvel, já
nessa área o gosto pela pintura também surgiu. “Na altura já manuseava um pouco
as tintas e tive sempre esta coisa de afinar a cor quando trabalhava na pintura
dos automóveis. Eu é que definia sempre a cor que queria porque, há 30 anos,
não era fácil como agora”.
Já
perto da reforma, com casa em Vila Pouca de Aguiar, Orlando Silva muda-se para
o concelho e dedica mais tempo à arte da pintura. Conta com “mais de cem
exposições” coletivas e individuais, a nível nacional e internacional. “Só nos
os Estados Unidos devo ter para aí 20 quadros meus”, salienta.
Lamenta
que nos dias de hoje se vendam poucos quadros e sente alguma desmotivação.
“Como realmente se vende muito pouco, também não há grandes motivos para nos
motivarmos mais”. Contudo, com cerca de 30 anos na arte da pintura, afirma que
é feliz a pintar porque “é uma coisa que me abstrai e que me deixa estar”.
A
exposição estará patente no Museu Municipal Padre José Rafael Rodrigues até ao
dia 8 de junho.
Texto
e fotos: Ângela Vermelho
17/04/2026
Cultura
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