PCP critica falta de resposta na saúde em Vila Pouca de Aguiar e alerta para a exploração mineira em Adagoi


A responsável política distrital do Partido Comunista Português (PCP), Fátima Bento, alertou esta quarta-feira, 25 de março, para os problemas no acesso à saúde no concelho de Vila Pouca de Aguiar e manifestou preocupação com o projeto mineiro de Adagoi, que tem gerado contestação local.

Após uma iniciativa na feira de Vila Pouca de Aguiar, Fátima Bento afirmou que o partido está a promover um abaixo-assinado em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) neste concelho, justificando que “são por demais os problemas e tardam as soluções”.

Entre as principais dificuldades apontadas estão “escassez de médicos de família”, “redução de horários e serviços”, “longos tempos de espera” e “falta de recursos humanos e materiais”, bem como “dificuldades no acesso a cuidados continuados e apoio domiciliário”, disse a dirigente em conferência de imprensa.

Segundo Fátima Bento, “é quase obrigatório, para determinados tipos de resposta, as pessoas terem que se deslocar a outros concelhos ou à sede do distrito”. A responsável distrital do PCP critica ainda a “falta de resposta adequada nos transportes públicos”, onde “há, de facto, insuficiências”, “o preço não é adequado à realidade”, e “não há regularidade adequada àquilo que são as necessidades de deslocação das populações”.

O abaixo assinado sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde em Vila Pouca de Aguiar foi lançado no final de janeiro e o PCP recolherá assinaturas até abril, altura em que apresentará os resultados dessa petição.

A dirigente destacou ainda preocupações com o alargamento da atividade mineira no concelho, nomeadamente com o projeto de Adagoi, promovido pela Mota Ceramic Solutions (MCS), que prevê a exploração de feldspato, quartzo e lítio nas freguesias de Bragado e Capeludos.

A empresa prepara-se para avançar com o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da concessão, numa iniciativa que tem gerado forte oposição local e uma petição contra, devido a preocupações ambientais e de saúde.

Fátima Bento afirmou que “não se pode fazer tudo a qualquer custo”, e defendeu que a atividade económica deve salvaguardar os interesses das populações, o ambiente e garantir emprego com condições dignas.

“Não é só porque uma empresa privada entende alargar a exploração e outros tipos de minérios que sabemos que são altamente poluentes, que se faz tudo a qualquer custo”, disse.

A dirigente indicou ainda que o partido está a levantar informação sobre explorações mineiras abandonadas na região, com o objetivo de questionar o Governo e exigir a reabilitação ambiental dessas áreas.

No setor agrícola, a nova responsável distrital alertou para as dificuldades dos pequenos produtores e para a falta de apoios aos produtores de equídeos, detentores de cavalos e burros, por exemplo. Fátima Bento sublinhou a importância destes animais como suporte à atividade agrícola e ao rendimento das famílias.

“Era um apoio a muitos pequenos agricultores, alguns com alguma idade, que lhes permitia obter algum rendimento para fazer face às despesas que a sua reforma não consegue responder e era um estímulo para a preservação destas espécies”, salientou.

As ajudas em áreas de baldio aos produtores de equídeos que não pertençam às raças autóctones Burro de Miranda e Garrana foram excluídas após recentes alterações.

O PCP refere intervenção a nível local, nacional e europeu e garante que o partido pretende “contribuir para a resolução dos problemas, não só na denúncia, mas também na reivindicação”, disse aos jornalistas no final de uma conferência de imprensa convocada em resultado das conclusões da assembleia da organização.

 

Sara Esteves e Ângela Vermelho

Foto: Ângela Vermelho


25/03/2026

Política


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