População contra projeto de exploração de lítio em Adagoi em Vila Pouca de Aguiar


As populações de Capeludos de Aguiar e Bragado estão contra o projeto de exploração de lítio em Adagoi, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, onde a empresa concessionária pretende explorar os minerais de quartzo, feldspato e espodumena, um mineral que contém lítio.

A Mota Ceramic Solutions (MCS) realizou duas sessões de esclarecimento no concelho de Vila Pouca de Aguiar, nas freguesias do Bragado e de Capeludos de Aguiar, abrangidas no projeto. A MCS afirma-se como empresa que “extrai, processa, desenvolve e fornece matérias-primas de qualidade controlada à indústria cerâmica”, referem no seu site.

Na sessão de esclarecimento sobre a atividade a desenvolver na região de Adagoi, realizada na sede da Junta de Freguesia de Capeludos de Aguiar, na sexta-feira, dia 6 de fevereiro, o desagrado da população presente era geral. Também a informação passada pela empresa concessionária foi alvo de descrença pelos que assistiram. O principal argumento era o de que não haviam sido informados sobre a situação e o sentimento de impotência perante o avançar da exploração.

Sandra Pinto, Presidente da Junta de Freguesia de Capeludos de Aguiar, confirma o desconhecimento em relação à exploração de minerais. “A nossa posição é de inteiro desconhecimento relativamente ao projeto”.

“Tivemos uma reunião na Câmara Municipal, com a empresa e o executivo da Câmara e da Junta, na qual nos foi apresentado o projeto, mas de uma forma muito breve, numa hora, onde nos disseram que era obrigatório fazer um esclarecimento à população”, refere Sandra Pinto. Frisou ainda que apenas teve acesso ao contrato “porque o pedi, nem isso nos facultaram”.

Quanto à sessão de esclarecimento, a presidente da junta é perentória, “nós estamos aqui para fazer reuniões e estaremos recetivos a outras que possam surgir. A vontade do povo é que vai ser soberana. Caso não haja volta a dar, estamos aqui para negociar e abertos a tudo, mas sempre com a vontade do povo”.

Aníbal José da Silva Mesquita, de 67 anos, é natural de Capeludos de Aguiar e disse já ter tido “uma pequenina ideia do que se passou, aí há dois anos, que falámos que iam realizar isto, mas não sabíamos dos problemas que ia causar”. O habitante fala, sobretudo, da água. “Pelo que dizem, vai contaminar muito a água e isso é muito grave para a saúde. A coisa mais ideal que temos aqui em Capeludos é a água”. Quanto a avançar com o projeto, Aníbal Mesquita não concorda. “Por mim, se é para dar cabo da saúde, não. Se vamos contaminar e dar cabo da nossa saúde, é melhor pararmos já, do que estarmos a continuar e, depois mais tarde, não pudermos fazer nada, e isso é grave”.

Também Maria Mesquita, é da mesma opinião. Apesar de ser natural Santo Tirso, mora há sensivelmente 37 anos em Capeludos de Aguiar. Afirmou só ter tido conhecimento do projeto no dia anterior à sessão de esclarecimento e revelou o pouco que sabia. “Só me falam na exploração do lítio e de mais dois componentes, que não sei quais são, entre Bragado e nas costas de Capeludos”.

A habitante acredita que o projeto só traz desvantagens para a localidade. “Se apanhar a costa florestal de Capeludos, não traz vantagens. Nós precisamos do ambiente que temos aqui, isto é o nosso pulmão, e nós precisamos dele. Luta-se tanto pelo ambiente, acho absurdo fazer este trabalho e esta exploração, não concordo”.

Quanto à sessão de esclarecimento, adiantou que estava disponível para ouvir. “Vou ouvir tudo. Se eles cumprirem o que vão dizer, eu estarei de acordo ou não, mas tudo depende. E se cumprirem e que seja uma área pequena, não andem a explorar demais”. Maria Mesquita tem preocupações com as “doenças, com a nossa água, que é natural, nós somos ricos em água, e certamente vai afetar a água também, e para a nossa saúde não vai ser melhor, de certezinha absoluta”, concluiu.

Existe uma petição pública, denominada “Contra a Exploração Mineira no Projeto C-192 – Adagoi”, demonstrando a “oposição ao avanço da exploração mineira associada à concessão denominada ‘C-192 – ADAGOI’, localizada nas freguesias de Capeludos e Bragado, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real”. Os autores da petição mostram-se “preocupados com a defesa do ambiente, da saúde pública e do desenvolvimento sustentável”.

Na mesma petição online, pretendem esclarecimentos sobre “os potenciais impactos negativos da exploração mineira (quartzo, feldspato e lítio) nos recursos hídricos, solos, biodiversidade e paisagem local; os riscos para a saúde e qualidade de vida das populações residentes; a insuficiente clarificação pública quanto às medidas de mitigação, recuperação ambiental e garantias financeiras previstas no contrato; o princípio da precaução e o interesse público na proteção do território e das comunidades locais”. Em modo de conclusão, apelam às entidades para não deixarem avançar a exploração, uma vez que “o desenvolvimento económico não pode ocorrer em detrimento do ambiente, da saúde pública e dos direitos das populações locais”.

Segundo o site da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), há um contrato em vigor para a exploração de quartzo, feldspato e lítio, pela Motamineral-Minerais Industriais, S.A, assinado a 4 de dezembro de 2024, para a concessão de exploração destes minerais, com o número de projeto C-192 Adagoi.

 

Texto e fotos: Ângela Vermelho

 


09/02/2026

Sociedade


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