ONGs e comunidade processam Comissão Europeia após atribuir estatuto de “projeto estratégico" à mina de lítio do Barroso


A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) e a ClientEarth deram entrada esta quinta-feira, 05 de fevereiro, com um processo judicial contra a Comissão Europeia, após ter considerado o projeto da mina do Barroso, em Boticas, como “projeto estratégico”, revelou a UDCB.

Esta associação refere, numa nota enviada, que as organizações ambientais e grupos comunitários intentaram uma ação contra a Comissão Europeia no Tribunal de Justiça da União Europeia, após a Comissão Europeia “se ter recusado a reconsiderar a sua decisão ao abrigo do Regulamento das Matérias-Primas Críticas (Critical Raw Materials Act – CRMA), apesar de provas detalhadas que demonstram que o projeto apresenta riscos ambientais, sociais e de segurança graves”.

As organizações alertam que a abordagem da Comissão “estabelece um precedente perigoso para a proteção ambiental, a participação pública e o Estado de direito na UE".

As organizações defendem que a Comissão “não cumpriu a sua obrigação de avaliar a sustentabilidade do projeto ao classificá-lo como “estratégico” e que foram ignoradas “lacunas evidentes na avaliação dos impactos ambientais, incluindo os impactos sobre espécies protegidas e a segurança da infraestrutura prevista para o armazenamento de rejeitados”.

Consideram que “contradiz tanto o direito ambiental da UE como o compromisso assumido pela própria Comissão de obter as matérias-primas de que necessita através de práticas de mineração sustentáveis”.

A UDCB, MiningWatch Portugal e ClientEarth apresentaram em 12 de junho de 2025 uma queixa, tendo a Comissão assumido que a responsabilidade “da escassez de água, a perda de biodiversidade e a segurança dos rejeitados”, é nacional.

De acordo com a UDCB, a Comissão “entende que o seu papel, ao validar o projeto como sustentável ao nível da UE, se limita a identificar erros manifestos nas candidaturas dos projetos”, tendo declarado que apenas recusaria o estatuto estratégico “se fosse manifestamente claro que o projeto não seria implementado de forma sustentável”.

A Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) e a ClientEarth pede ao Tribunal que anule a decisão da Comissão e clarifique as obrigações desta ao abrigo do Regulamento das Matérias-Primas Críticas.

“Vamos a tribunal porque a decisão da Comissão mina princípios jurídicos fundamentais da UE. Classificar um projeto como ‘estratégico’ e de interesse público, enquanto se fecha os olhos a riscos bem documentados para a água, os ecossistemas, a saúde humana e os meios de subsistência locais, é simplesmente inaceitável. A transição energética tem de assentar no direito, na ciência e na justiça – não em atalhos políticos que transformam regiões rurais em zonas de sacrifício”, referem citados em comunicado.

A mina do Barroso obteve parecer favorável condicionado da Agência Portuguesa do Ambiente em maio de 2023, apesar da oposição local e associações ambientais.

 

Sara Esteves

Foto: CM Boticas


05/02/2026

Sociedade


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