PCP questiona Governo sobre destino dos concentrados de lítio do Barroso e financiamento à Savannah


O Grupo Parlamentar do PCP questionou na quarta-feira, 21 de janeiro, esclarecimentos ao Governo sobre a exploração de lítio no Barroso, criticando a eventual exportação de minério para a Alemanha e a transferência de mais de 110 milhões de euros de fundos públicos para a multinacional Savannah.

Numa questão enviada à Assembleia da República, os deputados do partido afirmam que "os recursos geológicos existentes no território nacional, particularmente nos diversos depósitos minerais, pela sua dimensão, diversidade e qualidade, poderiam e deveriam desde há muito ter constituído uma base material única, para suportar o arranque de um processo relativamente autónomo e sustentável de um desenvolvimento industrial".

O partido critica o que considera um histórico de "doloroso e contínuo processo, que verdadeiramente deveremos designar de saque das nossas riquezas mineiras, que vem ocorrendo, ano após ano, decénio após decénio, e mesmo século após século, levado sobretudo a cabo pelas grandes potências industriais da Europa, que vêm aqui buscar as matérias-primas estratégicas de que necessitam para as suas indústrias, sem que em Portugal nada fique de valor, e tudo isto, sempre, mas sempre, com o apoio dos governantes nacionais de cada época", lê-se na pergunta dirigida ao Governo pelo Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República.

Relativamente ao lítio do Barroso, os deputados Alfredo Maia e Paulo Raimundo alertam que "os minérios de lítio que podem a vir ser extraídos no Barroso não sejam transformados a jusante em território nacional, em fileira metalúrgica alargada e valorizada, nomeadamente para o fabrico de baterias de lítio, mas sim, simplesmente exportado para a Alemanha, quase na forma de minério tal-qual. O que aconteceria com a intervenção ativa do Estado alemão. Ou, quando muito, com a fabricação de algumas gamas dessas baterias em Portugal, mas a igualmente a partir de multinacionais estrangeiras que se venham a instalar no País à procura de mão de obra mais barata e apoios/subsídios do Estado português".

O Governo prepara-se ainda para financiar a Savannah, empresa responsável pelo projeto de Mina do Barroso, em Boticas, com mais de 110 milhões de euros.

O partido questionou sobre a situação atual da autorização pelo Estado português do arranque da exploração de lítio no Barroso, assim como se estão cumpridas pela empresa todas as exigências legais, ambientais. O PCP quer ainda saber como “respondeu ou vai responder o Governo à assumida oposição das autarquias e da população".

O PCP questiona ainda se "confirma o Governo a intenção de transferir mais de 110 milhões de euros de recursos públicos nacionais para a multinacional Savannah” e quais são as informações do Governo sobre "a noticiada exportação de minérios de lítio dos depósitos do Barroso, sem qualquer transformação relevante em Portugal, para a Alemanha".

Os deputados interrogam também o executivo sobre a "intervenção ativa do Estado alemão neste processo que atinge fortemente o interesse nacional" e sobre as medidas que o Governo pensa tomar relativamente a outros minérios estratégicos, como ferro, cobre, zinco, tungsténio, estanho, chumbo, ouro e prata, tradicionalmente exportados "seja desde logo na forma tal-qual, seja com muito ligeiras concentrações em território nacional, exclusivamente realizadas para desonerar o custos dos transportes", para assegurar uma transformação em território nacional.

Sara Esteves

Foto: DR


23/01/2026

Sociedade


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