Confraria de Chaves vai distinguir empresas de produção de Pastel de Chaves IGP para assegurar autenticidade do produto
A Confraria de Chaves vai distinguir na sexta-feira, 16 de janeiro, oito empresas certificadas no fabrico do Pastel de Chaves, produto de Indicação Geográfica Protegida (IGP), há mais de 10 anos, destacando o compromisso com a tradição e a qualidade do produto emblemático da região, disse esta irmandade, liderada por Vítor Dias, Grão-Mestre da Confraria de Chaves.
Oito empresas produtoras de
Pastel de Chaves com IGP vão ser distinguidas, na sexta-feira, numa cerimónia
promovida pela Confraria de Chaves, com o objetivo de reconhecer o esforço
empresarial e reforçar a defesa da autenticidade deste produto tradicional,
face ao aumento de situações de uso indevido da designação.
A iniciativa assinala cerca de
uma década desde a atribuição do selo europeu de qualidade e pretende alertar
para a necessidade de maior coesão do setor e de vigilância contra fraudes,
nomeadamente a comercialização de produtos fora do concelho que utilizam
indevidamente a designação “Pastel de Chaves”, disse Lurdes Campos da Confraria
de Chaves.
Em declarações ao Canal Alto
Tâmega, Lurdes Campos explicou que o selo IGP garante que o pastel só pode ser
produzido na cidade de Chaves, de acordo com um rigoroso caderno de
especificações aprovado pela União Europeia, após um processo que demorou cerca
de 10 anos a ser concluído.
As empresas que vão ser
agraciadas são a Pastelaria Maria, Pastéis Jacinto, Produtos Alimentares
Carina, Momento Carbella, Biquinho Doce, Prazeres da Terra, D’Chaves e LusoPastel.
Segundo Lurdes Campos, apesar da
valorização trazida pela certificação, têm surgido “cada vez mais situações de adulteração do produto”, incluindo a
venda de pastéis com ingredientes que não respeitam a receita original,
associados indevidamente ao nome Pastel de Chaves, tanto em plataformas
digitais como em grandes cadeias de distribuição.
A também ex-técnica da Direção Regional
de Agricultura sublinhou ainda que, a certificação permitiu uma forte expansão
dos produtores para mercados externos, com vendas para países como Luxemburgo,
Suíça, Dinamarca e Polónia, estando também em curso contactos para mercados
como Brasil, Macau e Hong Kong.
A Associação Empresarial do Alto
Tâmega (ACISAT) é a entidade responsável pelo Agrupamento de Produtores, criado
no momento da candidatura a selo IGP, mas segundo o Presidente desta associação,
a ACISAT não tem função de fiscalização.
“A ACISAT não tem meios nem função de fiscalização. Quem deveria fiscalizar
seria entidades com poder para isso, mas sobre o alerta do Agrupamento do
Pastel”.
Vítor Pimentel adianta que
gostariam “de acordo os meios possíveis ter
forma de denunciar com maior eficiência os usos indevidos”, embora já o
venham a realizar. “Aquilo que a ACISAT faz,
enquanto pertencente ao Agrupamento, é sempre que aparece uma denúncia, é
primeiramente contactado o infrator, informado que está a utilizar um produto
que é adulterado e é-lhe enviado uma lista de produtores certificados para que possam
vender o pastel de Chaves certificado”, garantiu o Presidente desta
associação empresarial.
A cerimónia deverá contar com a
presença da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), que irá
abordar os constrangimentos da fiscalização, e pretende igualmente sensibilizar
a população para a importância da denúncia de situações irregulares,
contribuindo para a proteção desta iguaria.
A cerimónia pública e solene terá
lugar às 18h30 no Auditório Luís Coutinho em Chaves e “pretende enaltecer o mérito, o saber-fazer e o compromisso exemplar
das empresas na salvaguarda da autenticidade e no respeito pela tradição”,
afirmou a Confraria numa nota enviada.
Segundo a organização, a
cerimónia coletiva constitui uma “expressão
de reconhecimento solene pelo contributo prestado à defesa da denominação
protegida, à preservação da identidade local e à dignificação de um produto que
honra a história e a notoriedade do território flaviense”.
O Pastel de Chaves, produto de
pastelaria, em forma de meia-lua, constituído por massa finamente folhada,
recheada com um preparado à base de carne de vitela picada, foi registado com
produto IGP a nível europeu em 27 de maio de 2015. Este selo é um instrumento
para garantir que o pastel, produzido exclusivamente no concelho de Chaves,
mantém os padrões de excelência, relacionados com a origem e métodos
tradicionais, respeitando o caderno de especificações.
Atualmente, e segundo a Confraria
de Chaves, são produzidas e colocadas no mercado em média quatros milhões de unidades certificadas.
Sara Esteves
Fotos: Carlos Daniel Morais
14/01/2026
Sociedade
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