O partido diz ter tomado
conhecimento, da atribuição do apoio, “com
profunda preocupação” e critica a decisão da Agência para o Investimento e
Comércio Externo de Portugal (AICEP), em representação do Estado, de financiar
o projeto mineiro.
Numa pergunta dirigida ao
Ministério da Economia e da Coesão Territorial e ao Ministério do Ambiente e
Energia, o deputado do BE, Fabian Figueiredo, pede esclarecimento ao Governo
sobre a atribuição de um apoio público “a
um projeto privado que enfrenta forte oposição das populações de Boticas e envolve
um elevado passivo ambiental”.
O Bloco de Esquerda quer perceber
“que garantias existem de que este valor não
servirá apenas para mitigar os riscos financeiros de uma empresa privada à custa
dos contribuintes”, lê-se na pergunta dirigida ao Ministro da Economia e da
Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida.
O deputado Fabian Figueiredo quer
perceber a razão que levou o Governo, a avançar com este financiamento “avultado” antes de concluir e
apresentar a Estratégia Industrial Verde, instrumento previsto na Lei de Bases
do Clima, “comprometendo a soberania estratégica
sobre os recursos minerais nacionais”.
Na iniciativa parlamentar, o BE
questiona também o Governo sobre alegadas alterações aos contratos de concessão
que terão permitido o alargamento da área de exploração em mais de mil
hectares, denunciando “opacidade” nos
processos e exigindo a divulgação pública “urgente”
de todos os documentos contratuais e respetivos anexos.
O BE pergunta ainda se o Governo
pretende reverter o que classifica como uma política de esvaziamento das
competências das entidades públicas de fiscalização ambiental ou se continuará
a “subordinar o Estado aos interesses das
concessionárias mineiras”.
A mina do Barroso, em Covas do
Barroso, obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) condicionada em 2023,
e a Savannah prevê iniciar a produção em 2028. O projeto está classificado como
‘Projeto Estratégico’ ao abrigo do Ato Europeu das Matérias-Primas Críticas e
continua a ser contestado por várias associações, população, ambientalistas e
autarcas.
Sara Esteves
Foto: DR
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