Foi no decorrer da Operação
“Simba” que, além de um primeiro homem detido, de 47 anos, que já foi
apresentado à autoridade judiciária para primeiro interrogatório ontem, dia 28
de janeiro, também foi constituído arguido um “cidadão do sexo masculino, com
48 anos de idade, condutor da viatura pesada de mercadorias interveniente no
acidente de viação que esteve na origem da apreensão da maquinaria destinada à
produção ilícita de tabaco”, refere a UAF em comunicado.
Na realização das buscas
ocorridas, cerca de duas dezenas de pessoas foram também identificadas devido
ao seu envolvimento na atividade criminosa.
A organização atuava em quatro armazéns
distintos, “um deles albergava a unidade fabril clandestina de produção de
cigarros, enquanto os restantes funcionavam como infraestruturas de apoio
logístico, estrategicamente utilizadas para dispersar a atividade e dificultar
a deteção do local efetivo de produção”, refere a UAF. A unidade fabril
desmantelada estava “construída no interior do armazém, concebida para
minimizar a propagação de ruído para o exterior e dificultar a referenciação da
atividade ilícita”. Também no local havia uma área habitacional onde
permaneciam trabalhadores ligados à produção de tabaco.
No total foram realizadas “17
buscas, seis buscas domiciliárias, quatro em armazéns e sete em veículos na
disponibilidade dos suspeitos”.
Das diligências efetuadas
resultaram, refere a mesma nota publicada, as seguintes apreensões: 8 433 500
gramas de folha de tabaco, com um valor estimado de 1 855 370 euros,
correspondendo a uma prestação tributária presumida de 1 771 035 euros; 26 480
cigarros, com um valor comercial estimado de 6 831,84 euros, correspondendo a
uma prestação tributária presumida de 5 661,42 euros; 146 paletes de
componentes e matérias-primas destinadas ao fabrico de cigarros; várias
máquinas industriais, utilizadas em todo o circuito de produção de cigarros;
dois geradores, utilizados para assegurar o funcionamento autónomo da unidade
fabril; 376 caixas contendo material diverso utilizado no processo de produção
de cigarros; um veículo pesado de mercadorias e dois semirreboques; um
empilhador; telemóveis e diverso material informático.
Um milhão de cigarros
por dia e perda de receita fiscal de 10 milhões de euros
Esta Unidade de Ação Fiscal da
GNR estima que a fábrica clandestina desmantelada produzia diariamente “de
cerca de um milhão de cigarros, o que corresponde aproximadamente à
transformação de uma tonelada de tabaco por dia”. Com os dados recolhidos no
decorrer da Operação “Simba”, calculam ainda que “a perda de receita fiscal
para o Estado português possa ultrapassar os 10 milhões de euros”.
A investigação ainda está em curso, a cargo da Unidade de
Ação Fiscal, sob a alçada da direção do Departamento de Investigação e Ação
Penal Regional do Porto.
Ângela Vermelho
Foto: GNR
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